segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Estou além...

Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P’ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão

Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só

Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci

Esta insatisfação
Não consigo compreender
Sempre esta sensação
Que estou a perder
Tenho pressa de sair
Quero sentir ao chegar
Vontade de partir
P’ra outro lugar

Vou continuar a procurar o meu mundo, o meu lugar
Porque até aqui eu só

Estou bem
Aonde não estou
Porque eu só estou bem
Aonde eu não vou

António Variações


A pensar:


Não se mostra o trajecto a quem parte para se perder;

não se dá boleia a quem precisa de ir a pé...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Aperta.

Enquanto a saudade aperta Agarro-me ao mundo Recolhe o que é meu A ver se a vida se acerta Naquilo que prometeu Desenho no horizonte Uma viagem Que faço sem me mover E passo sobre a ponte Para outra margem Onde pudesse perder O peso dos dias A dor do caminho Que fica agarrada à pele Se a vida voasse Para além do destino Como a cabeça nos voa Numa folha de papel A vida passa sempre Tão apressada Que pouco podes conter Os dias são ausentes Sabem a nada Se te esqueceres de viver Agarra o teu mundo Acende os lugares Onde se escondem os teus sentidos E não tenhas medo Se às vezes falhares O que importa é o caminho Que fica...
M.V.

China 2008 The Games...







quinta-feira, 31 de julho de 2008

Amar será *

...partilhar mesmo que a outra pessoa só oiça metade da frase, entender as músicas melodramáticas que passam na rádio, entrar em depressão se a pessoa vai passar o fim de semana fora, deixar que nos paguem tudo e mais alguma coisa porque isto vem ligado à partilha (partilhar pró outro lado é bom ), apanhar grandes secas enquanto escolhem os ténis brancos com riscas pretas ou pretos com riscas brancas, achar piada à pronúncia de dossié vs. dossiê (dossier é que não!), ter vontade de fazer coisas românticas como atirar-se de um penhasco a gritar qualquer coisa do género ADRIAAANOOOOOOO, comprar uma guitarra eléctrica pra fazer músicas sem saber ler nem escrever, beber 7 cafés por dia só pra ver se pessoa já chegou ao bar, fugir semanas inteiras só pra depois parecer que estiveram taaaanto teeeempo loooonge, cortar o cabelo e tirar fotos com o telemóvel com a sms "gostas do meu novo look?", trocar músicas na net e dizer "gosto taaaanto dos teus gostos", utilizar indiscriminadamente a pseudo-palavra "Adr-t", dizer bocanices (vulgo parvoíces) a torto e a direito porque a pessoa gostará de nós como somos, entre tantas outras coisas... E não vamos lá falar de tatuagens.
Enfim, amar é ser idiota só porque se quer e parvo mesmo só porque se gosta.

.
* ou não.
Roubado daqui e sem direito a comissão...

Friável diamante.

Se o ciúme nasce do intenso amor, quem não sente ciúmes pela amada não é amante, ou ama de coração ligeiro, de modo que se sabe de amantes os quais, temendo que o seu amor se atenue, o alimentam procurando a todo o custo razões de ciúme.Portanto o ciumento (que porém quer ou queria a amada casta e fiel) não quer nem pode pensá-la senão como digna de ciúme, e portanto culpada de traição, atiçando assim no sofrimento presente o prazer do amor ausente. Até porque pensar em nós que possuímos a amada longe - bem sabendo que não é verdade - não nos pode tornar tão vico o pensamento dela, do seu calor, dos seus rubores, do seu perfume, como o pensar que desses mesmos dons esteja afinal a gozar um Outro: enquanto da nossa ausência estamos seguros, da presença daquele inimigo estamos, se não certos, pelo menos não necessariamente inseguros.O contacto amoroso, que o ciumento imagina, é o único modo em que pode representar-se com verosimilhança um conúbio de outrem que, se não indubitável, é pelo menos possível, enquanto o seu próprio é impossível.Assim o ciumento não é capaz, nem tem vontade, de imaginar o oposto do que teme, aliás só pode obter o prazer ampliando a sua própria dor, e sofrer pelo ampliado prazer de que se sabe excluído. Os prazeres do amor são males que se fazem desejar, onde coincidem a doçura e o martírio, e o amor é involuntária insânia, paraíso infernal e inferno celeste - em resumo, concórdia de ambicionados contrários, riso doloroso e friável diamante.

Umberto Eco

sexta-feira, 25 de julho de 2008

My way.










A evitar...

Não paramos de nos divertir por ficarmos velhos.
Envelhecemos porque deixamos de nos divertir.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Ships.







A passagem.


Recordações.







Dá que pensar. E doi.


sábado, 5 de julho de 2008

Fotografias.

Às vezes passa uma rapariga na vida que nunca mais deixa de passar, que nos interrompe e condena e encanta, sem saber o mal e o bem que nos faz e que nos fica na alma como aquelas pessoas que passam no momento em que se tira uma fotografia e passam a ser a pessoa que se fotografou (...).

Miguel Esteves Cardoso

E pronto...


"E começo a sentir saudades dela e dá-me para me lembrar do seu riso. E pronto, encalhei aqui e não me apetece que me venham salvar. "


Domingos Amaral

I say it best...

...when I say nothing at all...

Post Secret.


domingo, 22 de junho de 2008

A dois.

(...) Os dias para o amor não são dias de agenda, não são dias de cartão de crédito. Os dias para o amor são dias de ficar a dever. As dívidas entre par são directamente proporcionais à longevidade da relação o amor vive (e sobrevive) das alegrias do improviso e não do tédio do calendário. Só o imprevisto é sincero. O imprevisto é o melhor medidor do conhecer. Porque não há conhecimentos absolutos de ninguém. Ninguém se pode arrogar ter (e conhecer) alguém como se de um produto de supermercado se tratasse. Menos abdicar de continuar a pesquisar, observar, descobrir, espreitar. Se se o não faz o toque entibia, arrefece e desaparece. Os beijos tornam-se especialistas em cumprimentos.No início, as regras da atracção permitem que o amor se colha e se prenda; durante, a cumplicidade fortalece e solidifica; ainda durante, o enfado pode abanar e sacudi-lo. O fim só o cumprimenta com a falta notória de humor. A ausência de humor é o fim certo e mais que antecipado. Sabermo-nos rir dos nossos, dos dos outros e dos defeitos de ambos é, de todas, a maior virtude. É a maior e melhor validade que uma relação poderá ter. É também a maior liberdade.Para ser vivida pelos dois. E a dois.

Maravilhosamente escrito por Ele. Texto completo aqui.

The look.


"Por um olhar dos teus olhos dera da vida a metade,

por um riso dera a vida,

por um beijo a eternidade"

A pedido. Sorriso.


sábado, 21 de junho de 2008

Eu não sei.

O querer é bonito porque, concentrando-se na coisa ou na pessoa que se quer, elimina o resto do mundo. O resto do mundo é uma entidade muito grande que tem graça e tem valor eliminar. Querer um homem em vez de todos os outros homens, uma mulher em vez de todas as outras mulheres é fazer a escolha mais impossível e bela. Acho que se pode ter tudo o que se quer de muitas pessoas ao mesmo tempo, mas que não se pode querer senão uma pessoa. Ter todas as pessoas não chega para nos satisfazer, mas basta querer só uma, e não a ter, para nos insatisfazer. É por isso que se tem de dar valor à vontade. Poder-se-á querer ter alguém, sem querer também ser querido por essa pessoa? Eu não sei.

M.E.C.

As the sun goes down.



About sex and the city... ( ou como fazer um titulo que traga muitas visitas... )

Porque é que as pessoas que querem ser livres, independentes e tudo o mais, são aquelas que mais mal aguentam a solidão? Porque, para o mal e para o bem, habituaram-se a uma companhia constante. Não percebem que as saudades, os desejos nunca realizados, os sonhos que ficaram suspensos, são a melhor companhia (embora também a mais triste) que se pode ter?
Nunca se deve conhecer nada a fundo. Não falando na pretensão de pensar que se pode conhecer. Quando se diz «Conheço-o como as palmas das minhas mãos», há sempre uma insinuação feia e negativa. As pessoas, quando estão tristes ou mal-dispostas, não deveriam expor- -se. É uma falta de respeito pelos outros.
M.E.C.

Play the game.

"So go ahead. Argue with the ref, change the rules. Cheat a little, take a break and tend to your wounds. But play. Play. Play hard, play fast... play loose and free. Play as if there were no tomorrow. It's not whether you win or lose, it's how you play the game... right?

How life goes on...